No princípio era…

…o silêncio, e o silêncio se desvaneceu com o surgimento da Internet. E veio o ruído produzido pelo bla-bla-blá de todo mundo.

Faz tempo que eu também queria publicar meus pensamentos, minhas ideias. Experimentei duas ferramentas diferentes que eram, ao mesmo tempo, mecanismos de administração e interfaces para sites, mas não gostei de nenhuma; melhor dizendo, não achei nenhuma das duas satisfatórias; não atendiam as minhas exigências ou necessidades.

Tudo bem. Passou o tempo e eu descobri este magnífico suporte: o WordPress. Gostei, adicionei-o ao site, e aqui tô eu iniciando, enfim, meu blog.

Muitas ideias fluem, segundo a segundo, em minha cabeça. E essas ideias, comigo, funcionam mais ou menos como os flatos na barriga: se você reprime o pum, eles fazem você inchar. Quando refreio minhas ideias, meus pensamentos, eles parecem reclamar de lá de dentro da cabeça. Até parece que tô me tornando esquisofrênico.

Escrever tem suas vantagem em relação ao discursar: dá tempo de corrigir, de revisar, de apagar; já ao contrário, o que se falou, tá falado; no máximo dá pra se arrepender, pedir desculpas, se a fala não agradou.

No princípio era o silêncio, e o poeta estava em paz, feliz, olhando o mundo de sua janela. Quando a cidade cresceu, e as pessoas e as máquinas e os carros a invadiram, e o barulho veio junto com elas e eles, o poeta se incomodou e reclamou e nunca mais se contentou.

O poeta partiu (em paz, espero) antes que o mundo virtual evoluísse, que as pessoas o invadissem, e que o silêncio virtual fosse rompido. Que diria ele, se pudesse se manifestar agora, em meio a estas tantas outras manifestações de todos, de tudo que é jeito, imaginável ou não? Sei não. Não arrisco responder. Só sei que tomo a liberdade que meu direito garante de esvanecer, também, meu silêncio; mas opto por não produzir muito ruído; rompo com o silêncio e a mudez sem a intenção de poluir ainda mais este nosso mundo virtual.

Penso, logo, escrevo.

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