Há males que vêm para o bem, diz o ditado. Todos os males vêm para o bem, entendo eu. E embora esse seja um mote que dê pano para as mangas, invoco-o aqui para refletir com meus botões sobre um comportamento que desenvolvi em minha atividade profissional, e que vejo, agora, como muito equivocado.
Quando comecei a trabalhar como tradutor, recebia pagamento por cada remessa que fazia à editora – o que ocorria com uma periodicidade semanal. Isto me fez sentir um prazer que não conhecia de antes: “dinheiro fácil”. Daí, comecei a enveredar pela compulsão pelo trabalho, entendendo que quanto mais produzisse, mais dinheiro teria na semana seguinte.
Meu tempo se tornou rapidamente escasso. Não tinha mais tempo para a família, para o lazer, para o estudo, para a meditação, para a vida!…
Então, no começo deste ano, a editora informou que passaria a pagar a seus colaboradores mensalmente, em vez de a cada remessa feita. Isso me contrariou um pouco, no começo. Estava muito mal acostumado a depositar semanalmente um cheque na minha conta!
Agora, passados alguns meses, vejo que essa mudança me fez muito bem: embora não tenha reduzido a produtividade nessa atividade, passei a organizar melhor meu tempo, dispondo sempre de espaço para a família, o lazer, os estudos, a meditação e a prece, os amigos…
Enfim, o mal, como o belo, está nos olhos de quem o vê.