Outro dia, por curiosidade, pedi informações sobre o acesso 3G de uma operadora celular do Recife, ao vendedor que se encontrava num quiosque da empresa, num grande magazine.
Dentre as poucas coisas que o rapaz (com ar de superior) soube dizer, entendi que o serviço prestado limita o acesso para downloads a 2 GB mensais (isso para o acesso de 1 Mbps – não sei se varia para os outros).
Enquanto escrevo estas linhas, ouço uma rádio qualquer, pela rede, e constato em meu medidor GKrellM que a taxa de download do streaming (fluxo de áudio da rádio) se dá numa média de 10 KB por segundo (cerca de 80 Kbps).
Daí, comecei a pensar: se eu usasse um serviço 3G como o daquela operadora celular, com aquela limitação, e ouvisse rádio da mesma forma como ouço, durante um período de 10 horas diárias (ouço muito mais que isso, na verdade), eu teria os seguintes valores calculados:
10KB x 3600s x 10h = 360MB
Este seria o valor de um único dia, somente para ouvir a rádio, ou seja, sem levar em conta outras atividades de internet, como acesso a páginas para pesquisa, trabalho, curiosidade, diversão, troca de emails, voip etc, que consomem mais alguns megabytes diários.
Além do mais, como sou usuário da distribuição Ubuntu do GNU/Linux – porque o GNU/Linux é muuuuuuito melhor! – e o Linux permite atualizações gratuitas diariamente, utilizo mais alguns megas, também diários, para esta tarefa.
Arredondando minhas necessidades, chego a uma média de 450 MB por dia de downloads. De acordo com os cálculos acima, meu acesso seria bloqueado no quinto dia.
Se eu reduzisse meu prazer de ouvir música de rádio a apenas 2 horas por dia, ainda não teria banda suficiente para chegar ao acesso livre mensal.
Os provedores alegam, conforme vi numa entrevista na tevê, que o acesso à Internet se assemelha ao trânsito nas ruas de uma cidade. Com o aumento do volume do tráfego, aumentam-se os problemas de congestionamento, chegando-se às necessidades de contenção por meio de racionamento.
Ora, não me chamem de otário, assim, por favor! Otário é quem engolir essa balela! Otário ou, provavelmente, corrupto comprometido em aumentar os lucros sempre exorbitantes dessas empresas que querem ganhar sempre mais com um mínimo de esforço, se for uma autoridade.
As cidades não têm alternativas além da construção de viadutos e outras megaconstruções, para se livrarem do aumento do tráfego. E têm de lidar com inúmeros outros problemas que estão por trás disto: o aumento da população, a segurança pública, a saúde e a educação, que são gigantescos consumidores de recursos, muitas vezes desviados daqueles que deveriam ser aplicados na melhoria do trânsito.
Os provedores de acesso, por outro lado, fornecem um serviço, pelo qual são pagos, e este pagamento inclui, implicitamente, as taxas de manutenção exclusivas da qualidade deste serviço. Não há comparação – a não ser, como disse acima, na cabeça de algum desavisado, de um otário, ou de alguma autoridade comprometida com o enriquecimento ilícito de maus empresários…