Posts Tagged ‘GNU/Linux’

Hábitos

Monday, August 31st, 2009

Coisa interessante é a nossa capacidade de adaptação. Tempos atrás, em virtude de uma suspeita de diabete, fiz algumas alterações na minha dieta, incluindo a substituição do arroz parboilizado (e, portanto, polido) pelo arroz integral.

De começo, achei estranho. Não digo que achei ruim, porque gosto muito do exótico, e o arroz integral me pareceu um alimento bem exótico: sabor e textura realmente diferentes.

O tempo passou, e lá se vão mais de dois anos desta mudança na alimentação. O que me chamou a atenção para isto foi que, há uns dois ou três dias, tendo acabado o estoque do integral na despensa, tive de almoçar um prato do arroz comum, parboilizado. Pra minha enorme surpresa, achei aquilo uma coisa completamente desprovida de sabor e consistência. A impressão que tive foi a de estar comendo pedacinhos de talo de verdura, como coentro ou coisa parecida. E não consegui sequer comer lentamente, como é de minha preferência.

Resultado: não tardei em correr ao supermercado para reabastecer a despensa.

Coisa não relacionada à alimentação, mas similar em termos de comportamento, se deu com o uso de computadores. Sou desenvolvedor de software há pouco mais de 25 anos. E, na primeira parte desse tempo, usei, como a maioria dos desenvolvedores por aí afora, aquele sistema operacional reconhecidamente inferior, por mais que se tente tapar o sol com a peneira. Lembro bem das inúmeras vezes que me deparei com um problema absolutamente sem solução, pois que nem os livros do próprio fabricante daquele sistema tinham qualquer resposta; às vezes, sequer mencionavam o problema.

Felizmente, há 12 anos conheci o Linux, ou GNU/Linux, melhor dizendo. E minha experiência de vida (com a informática) mudou radicalmente – da frustração e decepção sem fim para a plena realização num mundo de absoluta liberdade e factibilidade.

Viva o arroz integral e a alimentação saudável!

Viva o GNU/Linux!

Limitações de acesso na banda larga 3G

Thursday, July 16th, 2009

Outro dia, por curiosidade, pedi informações sobre o acesso 3G de uma operadora celular do Recife, ao vendedor que se encontrava num quiosque da empresa, num grande magazine.

Dentre as poucas coisas que o rapaz (com ar de superior) soube dizer, entendi que o serviço prestado limita o acesso para downloads a 2 GB mensais (isso para o acesso de 1 Mbps – não sei se varia para os outros).

Enquanto escrevo estas linhas, ouço uma rádio qualquer, pela rede, e constato em meu medidor GKrellM que a taxa de download do streaming (fluxo de áudio da rádio) se dá numa média de 10 KB por segundo (cerca de 80 Kbps).

Daí, comecei a pensar: se eu usasse um serviço 3G como o daquela operadora celular, com aquela limitação, e ouvisse rádio da mesma forma como ouço, durante um período de 10 horas diárias (ouço muito mais que isso, na verdade), eu teria os seguintes valores calculados:

10KB x 3600s x 10h = 360MB

Este seria o valor de um único dia, somente para ouvir a rádio, ou seja, sem levar em conta outras atividades de internet, como acesso a páginas para pesquisa, trabalho, curiosidade, diversão, troca de emails, voip etc, que consomem mais alguns megabytes diários.

Além do mais, como sou usuário da distribuição Ubuntu do GNU/Linux – porque o GNU/Linux é muuuuuuito melhor! – e o Linux permite atualizações gratuitas diariamente, utilizo mais alguns megas, também diários, para esta tarefa.

Arredondando minhas necessidades, chego a uma média de 450 MB por dia de downloads. De acordo com os cálculos acima, meu acesso seria bloqueado no quinto dia.

Se eu reduzisse meu prazer de ouvir música de rádio a apenas 2 horas por dia, ainda não teria banda suficiente para chegar ao acesso livre mensal.

Os provedores alegam, conforme vi numa entrevista na tevê, que o acesso à Internet se assemelha ao trânsito nas ruas de uma cidade. Com o aumento do volume do tráfego, aumentam-se os problemas de congestionamento, chegando-se às necessidades de contenção por meio de racionamento.

Ora, não me chamem de otário, assim, por favor! Otário é quem engolir essa balela! Otário ou, provavelmente, corrupto comprometido em aumentar os lucros sempre exorbitantes dessas empresas que querem ganhar sempre mais com um mínimo de esforço, se for uma autoridade.

As cidades não têm alternativas além da construção de viadutos e outras megaconstruções, para se livrarem do aumento do tráfego. E têm de lidar com inúmeros outros problemas que estão por trás disto: o aumento da população, a segurança pública, a saúde e a educação, que são gigantescos consumidores de recursos, muitas vezes desviados daqueles que deveriam ser aplicados na melhoria do trânsito.

Os provedores de acesso, por outro lado, fornecem um serviço, pelo qual são pagos, e este pagamento inclui, implicitamente, as taxas de manutenção exclusivas da qualidade deste serviço. Não há comparação – a não ser, como disse acima, na cabeça de algum desavisado, de um otário, ou de alguma autoridade comprometida com o enriquecimento ilícito de maus empresários…

Faça-se contar!

Tuesday, July 7th, 2009

Uma andorinha só não faz verão. Mas basta que duas se unam, por qualquer motivo (simpatia de gostos, de interesses, de entendimentos), pra que o sol mostre algo de sua majestade e pujança – ao menos pra quem estiver atento ao evento. Daí pra outras andorinhas mais se agregarem, é só uma questão de tempo e, às vezes, de divulgação.

Em 1991, um estudante finlandês de Ciência da Computação noticiou, num BBS, que estava trabalhando na criação de um núcleo de sistema operacional (mais conhecido como kernel) à semelhança do Unix, que rodasse em computadores tipo PC e que fosse gratuito, já que a própria versão do Unix para esses computadores era muitíssimo cara.

O nome daquele estudante era Linus Torvalds. Foi a primeira andorinha.

Não demorou para que centenas de interessados, das mais diversas partes do mundo, se manifestassem espontaneamente, aderindo à ideia e passando a colaborar das mais diversas formas. Eram as outras andorinhas que se juntavam. Então o sol se levantou, e começou a dissipar as muitas trevas que até então ensombreciam o mundo da Tecnologia da Informação, emanadas de Redmond, EUA.

Era o nascimento do Linux, o núcleo que se agregou ao sistema operacional GNU, desenvolvido anos antes por Richard Stallman.

Dois anos depois disso, em 93, um camarada chamado Harald Alvestrand resolveu contar os usuários do GNU/Linux – uma brincadeira que resultou no projeto chamado The Linux Counter Project.

Esta iniciativa se revestiu de um caráter de fundamental importância, a despeito da motivação lúdica inicial, porque tal contagem permite que saibamos que não estamos sós. Além disso, o projeto permite que os usuários se relacionem entre si, através da indicação de sua localização geográfica e, às vezes, do fornecimento de seus endereços de email.

Infelizmente, porém, a maioria dos usuários nem sequer sabe da existência deste contador, ou, se sabe, não faz caso de se deixar participar da contagem, ignorando seus muitos efeitos positivos.

Anualmente, o Linux Counter manda um email para o usuário registrado, a fim de lembrá-lo de seu registro e da necessidade de atualizá-lo, visitando o site do projeto. Hoje recebi o meu lembrete. Aproveitei e cadastrei meu laptop (sim! eles contam, também, as máquinas que estão rodando Linux!). Aproveitei, também, para checar a quantas andam as estatísticas de usuários registrados e, pra minha enorme surpresa, vi que o nosso Brasil se encontra em segundo lugar no número de usuários registrados! Só estamos atrás dos Estados Unidos! Isto mostra que há um interesse sério de nossa gente pelo sistema operacional do futuro!

Fazer-se contar, além de permitir que você se faça visível para a comunidade e para o mundo de TI, e de melhorar a precisão das estatísticas, ajuda a aumentar a força da comunidade.

Fica aqui minha recomendação a todo usuário do GNU/Linux, independente de distribuição ou de tempo de uso: visite o site do projeto e cadastre-se, a fim de se fazer contar, também. O serviço é gratuito e sem fins lucrativos. Participe! Faça-se contar!