Se há uma situação que se possa dizer caótica, em relação à saúde pública no Brasil, esta é a que vive hoje a do Estado de Pernambuco, particularmente no Hospital da Restauração, em Recife.
Quando penso na área de saúde, não me sai da mente o Juramento de Hipócrates, proferido pelos médicos quando de sua graduação. O que me parece ter sido pronunciado pelos servidores da saúde que se encontram em greve, em Pernambuco, foi o Juramento de Hipócritas. Sequer o respeito mínimo que é exigido de qualquer cidadão que passe nas proximidades de um hospital, o dever do silêncio, está sendo respeitado. Pelo contrário, a insânia e a sanha dos grevistas leva-os a realizar apitaços em plenos corredores e saguões do referido hospital, como mostram diversas reportagens, produzidas por diversos meios de comunicação, no mais completo e absoluto descaso e desrespeito para com todos os pacientes, internados ou não.
Não entendo por que as autoridades não tomam uma atitude dura e definitiva para com esses “mercadores do templo da saúde”, porque a mim enoja e insulta ver tais imagens.
Num noticiário desta noite, vi uma grevista, em entrevista ao repórter da TVU do Recife, afirmar que a greve é legítima por estarem os grevistas procurando sua dignidade profissional. Dignidade, que eu saiba, é atitude, comportamento que impõe respeito. Quando é que um grevista da área da saúde pode falar dignamente em dignidade (perdoem-me o trocadilho, mas não deu pra resistir) estando de greve de uma forma claramente abusiva, perturbando por completo a paz e o bem-estar dos doentes, além do trabalho dos médicos, enfermeiros e outros profissionais da área que optaram por não aderir a tal movimento?
Talvez falte, aí sim, dignidade profissional a alguns procuradores ou promotores de justiça, ou juízes, ou outras autoridades do Estado, também, por não tomarem uma atitude firme e positiva contra pessoas que não respeitam nem valorizam a vida daqueles de quem deveriam cuidar.