Uma andorinha só não faz verão. Mas basta que duas se unam, por qualquer motivo (simpatia de gostos, de interesses, de entendimentos), pra que o sol mostre algo de sua majestade e pujança – ao menos pra quem estiver atento ao evento. Daí pra outras andorinhas mais se agregarem, é só uma questão de tempo e, às vezes, de divulgação.
Em 1991, um estudante finlandês de Ciência da Computação noticiou, num BBS, que estava trabalhando na criação de um núcleo de sistema operacional (mais conhecido como kernel) à semelhança do Unix, que rodasse em computadores tipo PC e que fosse gratuito, já que a própria versão do Unix para esses computadores era muitíssimo cara.
O nome daquele estudante era Linus Torvalds. Foi a primeira andorinha.
Não demorou para que centenas de interessados, das mais diversas partes do mundo, se manifestassem espontaneamente, aderindo à ideia e passando a colaborar das mais diversas formas. Eram as outras andorinhas que se juntavam. Então o sol se levantou, e começou a dissipar as muitas trevas que até então ensombreciam o mundo da Tecnologia da Informação, emanadas de Redmond, EUA.
Era o nascimento do Linux, o núcleo que se agregou ao sistema operacional GNU, desenvolvido anos antes por Richard Stallman.
Dois anos depois disso, em 93, um camarada chamado Harald Alvestrand resolveu contar os usuários do GNU/Linux – uma brincadeira que resultou no projeto chamado The Linux Counter Project.
Esta iniciativa se revestiu de um caráter de fundamental importância, a despeito da motivação lúdica inicial, porque tal contagem permite que saibamos que não estamos sós. Além disso, o projeto permite que os usuários se relacionem entre si, através da indicação de sua localização geográfica e, às vezes, do fornecimento de seus endereços de email.
Infelizmente, porém, a maioria dos usuários nem sequer sabe da existência deste contador, ou, se sabe, não faz caso de se deixar participar da contagem, ignorando seus muitos efeitos positivos.
Anualmente, o Linux Counter manda um email para o usuário registrado, a fim de lembrá-lo de seu registro e da necessidade de atualizá-lo, visitando o site do projeto. Hoje recebi o meu lembrete. Aproveitei e cadastrei meu laptop (sim! eles contam, também, as máquinas que estão rodando Linux!). Aproveitei, também, para checar a quantas andam as estatísticas de usuários registrados e, pra minha enorme surpresa, vi que o nosso Brasil se encontra em segundo lugar no número de usuários registrados! Só estamos atrás dos Estados Unidos! Isto mostra que há um interesse sério de nossa gente pelo sistema operacional do futuro!
Fazer-se contar, além de permitir que você se faça visível para a comunidade e para o mundo de TI, e de melhorar a precisão das estatísticas, ajuda a aumentar a força da comunidade.
Fica aqui minha recomendação a todo usuário do GNU/Linux, independente de distribuição ou de tempo de uso: visite o site do projeto e cadastre-se, a fim de se fazer contar, também. O serviço é gratuito e sem fins lucrativos. Participe! Faça-se contar!