Iniciada no famigerado governo fhc, a roubalheira pela redução da quantidade de produto vendido ao consumidor continua.
Fui ao supermercado a fim de comprar alguns itens para minha dieta, e parei em frente a caixas e latas de aveia. Enquanto comparava a relação preço/quantidade (no caso, o peso) entre uma caixinha (250g) e uma lata, reparei que a lata apresentava uma “redução de peso de 10%, de 500g para 450g”. Não sei qual a intenção da Quaker ao fazer tal “redução”. O fato é que o preço não acompanhou a redução; pelo contrário, houve uma ligeira proporção inversa, e ele aumentou.
Infelizmente, a grande falta de cultura do consumidor brasileiro permite que essas palhaçadas continuem sendo feitas – e com a nossa cara!
Inexiste, no Brasil, uma cultura de exame e comparação de rótulos. Grande parte dos desmiolados de classes mais altas acreditam que ser rico é não ter preocupação com preço, e, assim, preferem inclusive os produtos mais caros, sem dar a mínima para o que vai escrito nos rótulos. Por outro lado, os de menor poder aquisitivo, com também menor cultura, procuram apenas pechinchar com base nos preços, sem se dar conta de que, muitas vezes, estão pagando exatamente o mais caro por determinados produtos, graças a esses mascaramentos.
Para que ninguém esqueça — e para que os consumidores mais novos possam saber –, essa onda começou com o mascaramento da redução do comprimento dos rolos de papel higiênico, de 40m para 30m, ou seja, redução de 25% na quantidade do produto, sem o devido acompanhamento na redução do preço, o que implicou num lucro direto de fabricantes e comerciantes de 33%. Isso se deu no maldito governo já mencionado, há cerca de 14 anos. E até hoje compramos papel higiênico de 30m o rolo — e como se não bastasse, já aparecem alguns rolos de 20m!