Avança o processo eleitoral deste 2010, e eu fico do meu canto olhando pras loucuras, desatinos, insensatezes e que tais que caracterizam este processo nas chamadas democracias – seja aqui, seja nos EUA, ou onde mais for.
Mas penso que nosso país, com a atual iniciativa do TSE (ou de quem quer que esta tenha partido) de promover um excelente lote de propagandas educativas com caráter ao mesmo tempo bem-humorado e contundente, está, definitivamente, dando um passo em direção à elevação do nível de nosso futuro político.
Digo futuro, porque, no meu ver, quase certamente tais propagandas não causarão, para já, nítido impacto na corrompidíssima mente de boa parte dos eleitores atuais.
A exemplo disso, cito aqui um caso que não creio ser, em hipótese alguma, singular, mas que é de meu pleno conhecimento:
Um cidadão de minha cidade compra uma casinha com sítio, num assentamento, e tem à sua frente uma rua de chão batido que enlameia horrivelmente em dias de chuva, e faz levantar poeira sem fim em dias de sol – todo o assentamento encontra-se assim. O prefeito mais recentemente eleito – de partido de oposição ao do referido cidadão – faz a urbanização do assentamento, com saneamento e calçamento de ruas, beneficiando não só o tal cidadão, como toda aquela comunidade. O dito cidadão, por ocasião do presente processo eleitoral, mantém-se acabrestado ao agora oposicionista – conhecido fanfarrão e comprador de votos -, em virtude do fato de este lhe conceder, quando na situação, favores especiais (emprego ou coisa que o valha).
Fico vendo e revendo, com prazer, a irônica propaganda em que um apresentador de programa de auditório pergunta a um tolo participante trancado numa cabine à prova de som, se este deseja trocar uma escola pública para seus filhos por um punhado de tijolos; quando a luz à frente do participante acende, indicando-lhe que deve responder “sim” ou “não”, ele expressa um vibrante “sim!”, e é vaiado pelo auditório e lamentado pelo apresentador. É a cara do cidadão meu conhecido – e, com certeza, de muitos outros cidadãos Brasil a fora.
Nota: cidadão está propositalmente grafado em itálico, aqui, para questionar, também, se tais comportamentos seriam dignos do título de cidadania. Eu, por mim, duvido muito!